domingo, 14 de agosto de 2011

Sede




A sede é de beber
Da vida, aquilo que mata
Da morte, o que sobrevive
Da água, o que desidrata.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bilhete para Quintana

Entre aquele escarro no abismo

E a gélida geléia geral

Me envenena de tão visceral

Um idoso qualquer romantismo.

É a morte, e os olhos marejados.

É a sorte, de conhecer o outro lado.

É a maestria de quem rege a vida

Sabendo o certo, o final da sinfonia.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Afinal, no final tudo são meios.
Quanto ao fim, ainda receio
Seja sórdido demais para estampar
A jovialidade de um princípio sem princípios.

Já nem lembro a que vim
Com a cara da cidade na minha
Os sapatos pretos e a gravata
Minha forca diária
Meu suicídio tênue e silente de cada dia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Raras vezes me encanto
Entretanto,
Poucas coisas
Como quando canto
Formam belos "excetos"
Nas regras desta alma,
Ou nem tanto.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Canção da Roça

Agora já não tinha mais
Sangue nos olhos
E era um homem como os seus
Feito em seus sonhos

Em cada tia no tear
Ou na cozinha
A vida alheia no jantar
E em suas linhas

Agora já não era o caos
Que se assumia
Em troca de todo o dinheiro
Que nunca teria

Em cada tio no violão
Ou na varanda
Em cada primo pé no chão
Pelas cirandas

Agora achava que era livre
E que podia morrer
Então a qualquer custo partiria
Ver o sol nascer

No ribeirão... Entre as folhas do verão.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Tudo aquilo que poderia
Cedo ou tarde vir a calhar
É agora obsoleto e atrasado.

E eles continuam mirando
Os ideais vazios de três gerações atrás.

Pelejando contra o auto-flagelo
São patéticos estereótipos da liberdade

Cada vez mais me convencem
De que não almejar salvar o mundo
É na verdade uma dádiva
De quem quer por ele ser salvo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O relógio despertador
Desperta o homem
Que logo cedo, acorda o dia.

O relógio desperta a dor.