quinta-feira, 5 de julho de 2012

Há os que enxeguem um velho
Em um banco repousado
Descansando a idade na sombra

Há os que vejam um ensaio
O prelúdio para a partida
A decrescente marcha da vida

Há os que revelem histórias
E interpretem o sofrimento
E em seu fim, o merecido repouso.

Mas também há quem não enxergue nada
Quem passe indiferente à idade
E indagará lá pelos oitenta
Onde está minha mocidade?

sábado, 5 de maio de 2012

Ele os queima em fogo brando


E lentamente os desalenta.


Enquanto mártires viram quadros


Um auxílio para a manada


Continuar segurando


Até a última gota de vida.


Sem Abreviação (Marcos Zanturin)



Abreviamos o passo,
mas nunca o vinho.
Sob álcool e uvas,
as memórias florescem.

De um modo inconstante,
sem abreviar a amizade,
tanto anos passam
e longe de findar.

Ao som de ventos cantantes
e violões errantes,
cortaremos ainda muitas noites
sem sono nem cansaço.

Sem rimas, nem abreviações,
sem rumos, nem timões,
celebremos o passado,
brindando o futuro.

domingo, 14 de agosto de 2011

Sede




A sede é de beber
Da vida, aquilo que mata
Da morte, o que sobrevive
Da água, o que desidrata.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bilhete para Quintana

Entre aquele escarro no abismo

E a gélida geléia geral

Me envenena de tão visceral

Um idoso qualquer romantismo.

É a morte, e os olhos marejados.

É a sorte, de conhecer o outro lado.

É a maestria de quem rege a vida

Sabendo o certo, o final da sinfonia.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Afinal, no final tudo são meios.
Quanto ao fim, ainda receio
Seja sórdido demais para estampar
A jovialidade de um princípio sem princípios.

Já nem lembro a que vim
Com a cara da cidade na minha
Os sapatos pretos e a gravata
Minha forca diária
Meu suicídio tênue e silente de cada dia.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Raras vezes me encanto
Entretanto,
Poucas coisas
Como quando canto
Formam belos "excetos"
Nas regras desta alma,
Ou nem tanto.