quinta-feira, 30 de julho de 2009

De cima, bem de cima, eu vi.
Vi as luzes ao redor da cidade,
E vi as pessoas envoltas em pranto.

De baixo, do mais profundo, eu li.
Sobre os grandes que cediam à luxúria,
E li sobre tratamentos de choque.

E depois da poeira da estrada,
E dos meses em off,
Vi que há mais beleza na contemporaneidade
Do português futilmente globalizado ou qualquer baixaria similar,
Do que na inércia proposital de uma mente fértil.
Não consigo letrar músicas.
Não consigo musicar letras.
Não consigo poetizar palavras.
Não consigo palavrear poesias.


A fonte secou?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

DO MUNDO, SEMPRE AVULSO,
RITMADO EM QUALQUER PULSO
PESCO VERSOS NAS ESTRELAS.
Como qualquer matéria orgânica
Dotada de rubras vísceras pulsantes
Um dia, de maduro, hei de apodrecer.
No meu cômodo quarto, em um canto qualquer
Embora, honestamente, eu já não tanto relute,
Assim será, receio que não muito tarde.







Muita neblina cinzenta nas idéias, as vezes fica difícil lidar com isso, mas meu amigo Cássio Amaral , a quem dedico esses versos, disse que é assim que são essas coisas.



Abraços.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Pêlo contra os pêlos
Faísca do contato dos dois positivos
Diferentes: Atração/ Iguais: Repulsão
Um puro erro na química humana, e você vomita.
Vomita ao ver as línguas molhadas se lambendo
E em ambos queixos os fios
Positivo e positivo: Curto-circuito.
E você repulsa.
Inconscientemente todos acabamos por repulsar também
E você vomita
Inconscientemente todos acabamos por também vomitar.
Os seios se tocam, dois brancos e lisos.
As unhas se unham,
Os lábios, ambos vermelhos, se mordem.
Repulsão negada, e os dedos, as mãos
As pernas se entrelaçam lisas.
Brancas e macias pernas.Esfregam...
Os longos cabelos se misturam
Negativo e negativo: Curto-circuito
Apedrejá-los-ei como manda deus?
Humanos, seus cegos, humanos.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Breve poema sobre coisas breves

De breve que tudo foi
Não proponho distinção
Entre um adeus e um oi
Ao menos com exatidão.

sábado, 29 de dezembro de 2007

Canto Natalino

Hoje esperaremos até tarde

Todos de sorrisos escancarados

De reencontro e abraços apertados

Enchendo-nos, e bebendo a vontade.

Hoje toda a noite é de se viver

E esperaremos. Será que ele vem?

Mas caso não venha, tudo bem.

Mesmo assim, temos cálices a encher.

Logo chega outra rodada de vinho

Esqueçamos este som já baixinho.

E cantemos todos até o delírio.

Antes que o ano novo, assim de mansinho.

Faça-nos ver ao passá-lo sozinhos

Que além da ilusão, a vida é martírio.

24/12/07



(Último post do ano. Seria estranho eu lhes desejar feliz ano novo, certo?)