sábado, 12 de janeiro de 2008
Breve poema sobre coisas breves
Não proponho distinção
Entre um adeus e um oi
Ao menos com exatidão.
sábado, 29 de dezembro de 2007
Canto Natalino
Hoje esperaremos até tarde
Todos de sorrisos escancarados
De reencontro e abraços apertados
Enchendo-nos, e bebendo a vontade.
Hoje toda a noite é de se viver
E esperaremos. Será que ele vem?
Mas caso não venha, tudo bem.
Mesmo assim, temos cálices a encher.
Logo chega outra rodada de vinho
Esqueçamos este som já baixinho.
E cantemos todos até o delírio.
Antes que o ano novo, assim de mansinho.
Faça-nos ver ao passá-lo sozinhos
Que além da ilusão, a vida é martírio.
24/12/07
(Último post do ano. Seria estranho eu lhes desejar feliz ano novo, certo?)
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
O bloco (Ao amigo Sérgio Sampaio)
Pobre rapaz
De olhos fundos e muitos ideais
Já não se faz
Aqueles olhos brilhantes mais
Doido rapaz
Eu sei que já sabe dos dias contatos
E no nascituro já sentenciado
Deita e dorme menino, e vai
Ouça rapaz
Digo-te: As pessoas são os nossos problemas
Que julgam inferno as noites boêmias
E o seu coração de vidro quebrou
A marca no nosso rosto
É do seu beijo, rapaz.
Não apague as luzes
Pois a morte é certa.
Nossas idéias: As mesmas.
Nosso coração também já é outro.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Lembranças
Lembranças
I – Do lado de cá
O tempo revira-te inteiro e brinca sutil com seu avesso. Você, insone, vê passar noites e as vira. Nos avessos da noite que no sal das lágrimas e suor uivam, também uiva você à lua
II – Do lado de lá
A noite vira ao avesso seu sono bom e se sente violentada pelo seu escuro, que adentra seus pensamentos, como se em suas entranhas úmidas do desejo encontrasse refúgio não te deixando adormecer. E ele entende? Nunca entenderá. Exige agora, o rapaz dos versos, seu amor de imediato. E você entende? Nunca entenderá. O tatear da noite pelas palmas brancas de suas mãos criam uma necessidade plena, e a certeza nunca foi tão forte acerca de que o ama. O mensageiro que te leva a ele todas as noites e traz respostas, mero avanço da ciência transcrevendo palavras dosadas pela esquiva, pelo medo. Seus olhos abrigam todos os sonhos do mundo, seu coração, de todos, é o mais faminto. Fera selvagem, que voraz devora a carne, e te faz sentir satisfação de mera momentaneidade. Também tem suas lamúrias nos delírios da penumbra que cai sobre seu quarto tal qual treva, maldição-do-faraó. Nos mesmos avessos que te vira a noite, que vira a todas as cabeças aceleradas, desprovidas do direito ao gozo do descanso, vira você também, com sabe-se lá quantos rostos. Atrofiada dentro de si mesma, seu rosto pálido de tantos sorrisos e seu corpo saudável de tantos abraços, clamam compreensão no cair da alta madrugada. Insatisfação. Coração voraz. Cabeça de inúmeros sonhos. Acende a luz e na última tentativa de se encontrar por meio de alguém, abre um livro onde à caneta está escrito: "Que a lembrança conserve o sabor do encontro, e até da despedida, assim como de tudo entre os dois." E segue uma mera pretensão, que por cuidados não chegou a seguir o texto, mas na cabeça do rapaz, ali está em letras pouco maiores: Eu te amo.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Férias
Ainda não sei como me agüentam.
Com minha estranheza crônica,
E essa tosse de cachorro.
Quero ir pro Caribe, ou Hawaii.
Longe de qualquer lugar
Onde possa me encontrar.
Um lugar escondido de mim.
Tomar água de coco gelada
E desligar o telefone
Pra prevenir caso me ligue
Pedindo que eu volte.
E me poupe de dizer:
Acabou tudo entre nós.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Quase

Fora quase nada,
E melhor que outros “quases”
Quase fostes.
Fora quase tudo
E qualquer "quase nada"
Fora menos nada tal qual fostes.
Fora tanto que quase,
E menos que fato.
Tanto que no quase ficastes.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Teus dias
Imagem congelada da beleza jovial
Sangra novo e cheira a juventude o que jorra de tua alma.
Visse a dor que tu causaste naquele jovem que te amou?
E é deste orgulho que morrerá, sem amor, murcha e chorosa.
No gangorrear da tua cadeira, vendo o outono passar.
Teu fim, este fim assim tão breve, que não leve então teu corpo.
Só leve de ti o amor, e teus sorrisos sem-graça.
E assim serão teus dias. Dias muitos.
