sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Quinta feira

Nessas noites frias de neblina,
cantando os poucos decibéis de insanidade
de roucos tons desandados pela cidade
e uma canção com o nome daquela menina

Me traz uma breve aurora noturna
refuga me o medo de pernoitar sob a lua
a imagem tão bela ali santa e tão nua

Em frente a solitária praça escura
testemunhando essa noite vadia de rua
vagando sozinho sob a sombra sua

Nessas noites geladas sem céu estrelado
a aurora noturna que é tão repentina
que nem se percebe sem aquela menina
e me vejo aqui perdido e embriagado

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Enquanto dorme... ( 23/09/06 )

...E então me pergunta:
_Qual o porque dessa sua incessante busca?
Sem palavras eu hei de te responder .

Ao menos se eu tivesse como,
lhe diria da maneira mais brusca,
mas há tempos tento lhe dizer.

Se entendesse que isso e algo tão meu,
quanto toda estranheza que há em mim...
Entenda,só não quero soar vulgar.

Não sabe que esse é meu modo?
talvez não tenha de ser assim,
se percebe deixa se perder no ar

Todas palavras que cruzo por você
e o significado que tento forçar
que joga fora amargamente

Paro por aqui,mais uma tentativa se vai
com a convicção de que nem a lerá,
me despeço novamente.

domingo, 4 de novembro de 2007

Lapidações

Me lapido ouro-de-tolo
e em controvérsia grafo seu nome
preto em amarelo com linhas
ferindo, ardente, o meu.
Pouso o rosto sobre uma das mãos
e o dedo mínimo, seguido do anular tateam o roxo-preto da insônia.
Constante, penso: Quando virá, quem será.
E ao sentir o queimar da coronária
[re]construo toda uma imagem de alguém,
alguém que, profundo, conheço, mas não sei quem é.
Me lapido, agora, diamante.
Demasiado puro para macular-me em seu beijo.
Ou seria o contrário?
Ás vezes só almejo uma coisa:
Que nossos corpos abriguem os mesmos delírios
e reciprocamente proporcionemo-nos um incontestável gozo, um júbilo incessável.
O mais próximo possível do ser-feliz-em-excesso
Mas me lapido vidro, transparente, límpido
e não te lapidas.
E se faz, lapida-se pedra-sabão, escura, embaçada.
Indecifrável.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Pobrezinho milionário


reflexo de um sol estridente,cortante
invade, rasga e dá aroma à pele
aromatiza cada poro á carniça

Vira-lata, milionário e pobrezinho
cata-lata, vende-lata, fuma-lata
"Minha cobertinha velha ninguém rouba"

Descalço, de calos, calor calejante
busca no início, ainda, o sol
língua de cola, e quase sempre de fome

Filho do norte, filho da morte
vira-lata milionário pobrezinho
limpa o chão da praça suja com sua inocência

[ Dedicado ao pobrezinho milionário, Edson, e à Ana, minha amiga, irmã que estava presente no dia que encontrei Edson , e que também deu nome ao que eu escrevi sobre ele,]

domingo, 21 de outubro de 2007

Me deixe.

Me deixe aqui
com minhas lembranças,
que não faço mal a ninguém
senão a mim mesmo.

Me deixe aqui
como um dia já o fez,
escrevendo meus versos pueris
e tão fúteis.

Quero mais é lembrar.
Quero mais é sofrer.
Quero mesmo é encher o copo, a cara.
Quero mesmo é me encher de nós.

sábado, 20 de outubro de 2007

Sonata da luz da lua


Um som profundo e aveludado
faz formar inúmeras imagens
cada nota em suas margens
se fazem agressivas e apaixonadas

Um piano solitário
no centro do escuro salão
o ar da triste solidão
e a execução de um pranto raro

Rasga o vento com teu choro
oh,pianista e tuas mágoas
cada nota como a água
de teus olhos sem consolo

Dedilha estas notas que imagina
cada tecla uma parte de sua canção
dedilhando assim meu coração
faz o fundo de minha sina

Sei que choras como eu
mas teu jeito de chorar
senhor solitário,é tocar
bem mais belo que o meu

E ainda ouço a sonata morrendo...
pouco a pouco,em tuas mãos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Poesia sem tema


Poesia sem tema
é como fogo que não queima,
queimadura sem dor,
teatro cheio sem ator.

Poesia sem ideia
é distração para meus demônios,
como cabeça vazia
que nos faz perder o sono

Poeta sem inspiraçao
é como judas sem perdão,
faz se carrasco e enforcado,
cruz e espada lado a lado

Poesia sem tema,
vem brotando da cabeça
de escrever seja de teima
algo,mesmo que entristeça


Quando a ideia é inexistente
mas o poeta persistente
acaba por se enganar
e percebe que está por uma linha de acabar

Acabar de escrever
assim,uma poesia
que fala sobre um poeta
que estava de cabeça vazia